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O norueguês que revolucionou o sushi com salmão no Japão

Na década de 1990, os japoneses começaram a experimentar sushi com salmão cru, uma inovação impulsionada por um norueguês apaixonado pelo Japão. Em 1986, Bjørn-Eirik Olsen, oriundo do Ártico da Noruega, teve uma ideia que mudaria a percepção global sobre o sushi.

Naquele período, a indústria norueguesa do salmão estava se expandindo, mas necessitava explorar novos mercados. O governo norueguês lançou o Projeto Japão, com o objetivo de incrementar as exportações de peixe para o país asiático, conhecido por sua preferência por produtos do mar.

Entretanto, havia um desafio: os japoneses não consumiam salmão cru. Bjørn-Eirik, que sempre foi fascinado pela cultura japonesa desde a infância, começou sua carreira como analista de mercado. Sua paixão foi despertada ao assistir ao aclamado filme “Os Sete Samurais”, de Akira Kurosawa.

A jornada de Bjørn-Eirik no Japão

Após decidir seguir seus sonhos, Bjørn-Eirik se mudou para Osaka, onde aprendeu japonês e continuou seus estudos na Universidade de Kyushu, em Fukuoka. Inicialmente, o Projeto Japão pretendia focar em peixes como capelim, arenque e camarão, mas a crescente popularidade do salmão chamou sua atenção.

Olsen percebeu que o mercado de sushi e sashimi no Japão, que priorizava espécies de alto valor, poderia ser uma grande oportunidade. “O peixe cru era vendido a preços até 10 vezes mais altos do que o cozido”, explica. A entrada do salmão nesse mercado poderia ser uma mudança significativa.

No entanto, ao apresentar o salmão a profissionais do setor, a recepção foi negativa. Muitos afirmavam: “Nós, japoneses, não comemos salmão cru”, apontando preocupações sobre o cheiro, a textura e a coloração do peixe.

Mudando percepções e estratégias

Os japoneses acreditavam que o salmão selvagem do Pacífico era propenso a parasitas, enquanto o do Atlântico, criado em cativeiro, era considerado inferior. Para reverter essa visão, Bjørn-Eirik e sua equipe criaram um novo nome para o salmão, chamando-o de ‘Noruee saamon’, uma versão adaptada para o japonês.

Campanhas de marketing e parcerias com chefs renomados, como Yutaka Ishinabe, foram fundamentais, mas o progresso era lento. A situação se complicou ainda mais no início dos anos 90, quando a produção de salmão na Noruega superou a demanda nos mercados europeus e americanos, resultando em estoques encalhados.

Com a queda dos preços, muitos produtores enfrentaram dificuldades financeiras. “A indústria do salmão estava à beira do colapso”, recorda Olsen. Diante disso, os exportadores consideraram vender 12 mil toneladas de salmão para uma grande empresa pesqueira do Japão, mas isso ameaçaria os esforços de posicionar o salmão norueguês no mercado de sushi.

Um acordo transformador

Em vez de seguir essa rota, Bjørn-Eirik negociou com a empresa Nichirei a venda de 5 mil toneladas de salmão, que seriam comercializadas especificamente para sushi. Essa decisão foi um marco na trajetória de popularização do salmão cru no Japão.

Em 1994, ao encerrar suas atividades de comercialização, Bjørn-Eirik já havia contribuído para estabelecer o salmão norueguês como uma opção viável e desejada no cardápio japonês.

Perguntas frequentes

Qual foi a ideia inicial do Projeto Japão? O Projeto Japão visava aumentar as exportações de peixes noruegueses, como capelim e camarão, para o Japão.

Quem foi Bjørn-Eirik Olsen? Bjørn-Eirik Olsen é um norueguês que se destacou por sua paixão pela cultura japonesa e por sua contribuição para a popularização do salmão no sushi japonês.

Como o salmão foi introduzido no mercado japonês? O salmão foi introduzido no Japão através de um rebranding, onde o nome foi alterado para ‘Noruee saamon’, e por meio de campanhas de marketing e parcerias com chefs.

Por que os japoneses não consumiam salmão cru inicialmente? Os japoneses tinham a percepção de que o salmão cru tinha um cheiro de rio e era propenso a parasitas, além de considerarem o salmão do Atlântico inferior.

Qual foi o impacto da superprodução de salmão na Noruega? A superprodução levou a uma queda nos preços e colocou muitos piscicultores em dificuldades financeiras, ameaçando a indústria do salmão.

Fonte: https://g1.globo.com

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