Um conjunto de 13 varejistas europeus solicitou que as principais tradings agrícolas esclareçam se pretendem manter sua participação no acordo da Moratória da Soja e quais métodos de verificação utilizarão para assegurar que a soja adquirida na Amazônia não contribui para o desmatamento. As empresas destacaram que as respostas influenciarão suas “futuras decisões de originação”.
Carta do Retail Soy Group
A solicitação foi formalizada em uma carta enviada pelo Retail Soy Group, uma organização de empresas de varejo da União Europeia, criada em 2013 com o objetivo de desenvolver soluções para a produção sustentável de soja. O documento, que foi acessado pela reportagem, conta com a assinatura de grandes varejistas como Tesco, Lidl e Marks and Spencer, além das alemãs ALDI Nord e ALDI Süd, e da suíça Swiss Soy Network.
A correspondência foi direcionada a Juan R. Luciano, CEO da ADM; Greg Heckman, CEO da Bunge; Brian Sikes, CEO da Cargill; Michael Gelchie, CEO da Louis Dreyfus Company (LDC); e Wei Dong, CEO da Cofco. Cópias foram enviadas à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e ao presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar.
Preocupações com a retirada da Abiove
No documento, as varejistas expressaram seu “profundo desapontamento” com a decisão da Abiove de se retirar da Moratória da Soja. Elas pedem que as tradings confirmem se irão, de forma independente, reintegrar-se à Moratória, se seus compromissos ambientais e climáticos permanecem inalterados e se continuarão a aplicar a data de corte de 2008 para a aceitação de soja proveniente de áreas desmatadas.
Além disso, as empresas solicitam que as tradings detalhem os métodos que utilizarão para garantir que a soja comprada seja livre de desmatamento, além de implementar um sistema independente de monitoramento, divulgação e verificação. O prazo estipulado para as respostas é até 16 de fevereiro.
Possíveis consequências para as tradings
Com a carta, os varejistas europeus indicam que, dependendo das respostas recebidas, poderão interromper a compra de soja das tradings que não assegurarem a conformidade com as regras da Moratória da Soja. Segundo eles, as respostas servirão para avaliar se cada trading está alinhada com seus requisitos individuais de negócios e para determinar futuras decisões de originação.
A Abiove confirmou sua saída da Moratória da Soja em 5 de janeiro, logo após a implementação de uma nova lei em Mato Grosso que retira benefícios fiscais para as tradings que não cumpram compromissos voluntários com exigências superiores às da legislação ambiental brasileira.
Perguntas frequentes
O que é a Moratória da Soja? A Moratória da Soja é um compromisso firmado por tradings para não comprar soja de áreas desmatadas na Amazônia após 2008.
Quem são os signatários da carta? A carta foi assinada por diversos varejistas europeus, incluindo Tesco, Lidl, Marks and Spencer, e as cadeias alemãs ALDI Nord e ALDI Süd.
Qual é a data limite para as respostas das tradings? As tradings têm até 16 de fevereiro para enviar suas respostas às solicitações das varejistas.
Como a retirada da Abiove impacta a Moratória da Soja? A saída da Abiove gerou preocupações entre as varejistas sobre o futuro cumprimento das regras da Moratória, levando-as a exigir esclarecimentos das tradings.
Quais são as possíveis consequências para as tradings? As tradings que não garantirem a conformidade com a Moratória da Soja podem enfrentar a interrupção das compras por parte das varejistas europeias.
Fonte: https://globorural.globo.com
