A banda inglesa Dry Cleaning tinha grandes expectativas para janeiro de 2026. Após dedicar dois anos à criação de seu terceiro álbum, intitulado Secret Love, que combina elementos do pós-punk e art-rock de maneira inovadora, eles planejavam uma turnê com 21 shows pela América do Norte. Historicamente, esse é um mercado forte para a banda, com um espetáculo marcado para Chicago no dia 23 de janeiro.
As vendas de ingressos estavam promissoras e a banda estava entusiasmada. No entanto, a aprovação dos vistos americanos ainda não havia ocorrido, mesmo após meses de espera. Com isso, começaram a surgir despesas elevadas com taxas de aceleração, além dos altos custos inerentes a uma turnê dessa magnitude. O empresário da banda, Tim Hampson, expressou sua preocupação: “Comecei a olhar para isso e pensei, ‘Estou um pouco preocupado com o fluxo de caixa’.”
Assim, em meados de novembro de 2025, Dry Cleaning tomou a difícil decisão de cancelar a turnê que havia sido anunciada um mês antes, adiando a maioria das apresentações para o final de 2026. No comunicado divulgado em dezembro, mencionaram “as forças econômicas cada vez mais hostis que regem as turnês atualmente”, refletindo uma preocupação crescente na indústria musical: muitos acreditam que está mais difícil do que nunca para as bandas se sustentarem fazendo shows ao vivo.
Desafios Crescentes para Bandas Independentes
Florence Shaw, vocalista do Dry Cleaning, descreveu a situação como “extremamente brutal”, acrescentando que as condições eram muito mais favoráveis há alguns anos. Para ela, a situação não se resume a lucrar, mas sim a conseguir realizar as turnês. O baixista Lewis Maynard observou que o cancelamento de turnês tem se tornado cada vez mais comum, mesmo em shows com boa venda de ingressos, o que é alarmante.
Nick Buxton, baterista da banda, destacou que há uma demanda significativa por suas apresentações, mas os custos exorbitantes com voos, transporte, hospedagem e alimentação tornaram a situação insustentável. “A receita de uma grande turnê é significativa, mas os preços estão simplesmente subindo e tornando isso irrealista”, afirmou.
Maynard expressou esperança de que algo mude em breve, alertando que, caso contrário, uma grande parte do setor de shows pode desaparecer, o que é um cenário assustador.
A Realidade do Mercado Musical
Ganhar a vida como músico sempre foi desafiador, como qualquer profissional da indústria musical pode confirmar. Karl Morse, agente da ROAM que trabalha com artistas como Goose e Khruangbin, salientou que, embora o sucesso na estrada exija uma combinação de talento e sorte, a situação se tornou mais difícil nos últimos anos, especialmente para artistas em ascensão e de médio porte.
Bandas consolidadas, como Garbage, também estão desistindo de turnês nos EUA, citando “a economia da indústria musical” como motivo para a interrupção. A vocalista Shirley Manson expressou preocupação com os músicos mais jovens que se esforçam para se apresentar, muitas vezes enfrentando condições difíceis durante suas turnês.
Veteranos da indústria atribuem muitos dos problemas atuais ao impacto da Covid-19 em 2020, que paralisou os shows ao vivo por meses e causou o fechamento de várias casas de espetáculo. Embora a demanda tenha inicialmente aumentado após a liberação das vacinas, essa fase positiva não se sustentou. Morse comentou que, após um ano de forte recuperação, o mercado se estabilizou e se tornou mais desafiador.
Fonte: https://rollingstone.com.br
