Um novo estudo intitulado “Descarbonizando a Cadeia de Suprimento de Fertilizantes de Amônia no Brasil” indica que o custo de produção de fertilizantes nitrogenados a partir de matérias-primas renováveis está se aproximando do valor da produção nacional utilizando gás natural. A pesquisa foi realizada pelo Instituto E+ Transição Energética, um think tank brasileiro, em colaboração com a organização não-governamental estadunidense Rocky Mountain Institute (RMI), que atua em mais de 50 países.
Produção com Biometano
O estudo analisa a produção de fertilizantes nitrogenados por meio de biometano, que é utilizado para gerar amônia, a principal matéria-prima desse tipo de fertilizante. O biometano é obtido a partir da purificação de gases gerados pela decomposição de matéria orgânica, como restos agrícolas, incluindo a vinhaça da cana-de-açúcar, e dejetos de animais e resíduos urbanos, servindo como uma alternativa ao gás natural, que é de origem fóssil.
“O Brasil, com sua vasta disponibilidade de recursos como vento, sol, biomassa e um mercado agrícola forte, possui condições favoráveis para o desenvolvimento de uma indústria de fertilizantes de baixo carbono, que poderia reduzir riscos, aumentar a competitividade e contribuir para as metas climáticas”, afirmou Pedro Guedes, especialista em combustíveis renováveis e fertilizantes do Instituto E+, um dos autores do estudo.
Comparação de Custos
A pesquisa compara os custos de produção da amônia verde, que é produzida com fontes renováveis, com a amônia cinza, obtida a partir do gás natural, e a amônia azul, que utiliza gás natural combinado com captura e armazenamento de carbono. O estudo se baseia em tecnologias já existentes e nos preços atuais ou potenciais.
No caso de projetos híbridos, onde há geração de energia elétrica no local de consumo, conhecidos como behind-the-meter, e conexão com a rede nacional, o custo da amônia verde já é competitivo com o da amônia azul e cinza em portos como Rio Grande (RS) e Pecém (CE).
Dependência de Importações
O estudo não compara os custos dos fertilizantes nacionais com os importados, pois se baseia no Plano Nacional de Fertilizantes 2050, que visa aumentar a produção interna e reduzir as emissões do setor. Atualmente, 97% dos fertilizantes nitrogenados utilizados na agricultura brasileira são importados. O plano, desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert), propõe uma redução gradual das importações com o aumento da produção interna.
O estudo também aponta que, com as plantas de fertilizantes nitrogenados já existentes no Brasil e os projetos em andamento, o país possui uma capacidade instalada de 3,8 milhões de toneladas por ano, suficiente para atender 45% da demanda projetada para 2050, sendo que 1,2 milhão de toneladas poderiam ser provenientes de fontes de baixo carbono.
Riscos e Necessidades
Os autores do estudo destacam que a dependência do Brasil em relação aos fertilizantes importados expõe a agricultura nacional a riscos, como os impactos da guerra na Ucrânia, que elevaram os preços globais dos insumos em 2021 e 2022. Para mitigar essa vulnerabilidade e avançar na produção de nitrogenados renováveis, os pesquisadores ressaltam a importância de ações estratégicas, alinhamento de políticas, mobilização de investimentos, expansão da infraestrutura e estímulo à demanda.
Perguntas frequentes
Qual é o foco do estudo sobre fertilizantes nitrogenados? O estudo analisa a competitividade do custo de produção de fertilizantes nitrogenados a partir de fontes renováveis em comparação com o uso de gás natural no Brasil.
Como o biometano é produzido? O biometano é gerado através da purificação de gases resultantes da decomposição de matéria orgânica, incluindo resíduos agrícolas e urbanos.
Quais são os tipos de amônia comparados no estudo? O estudo compara a amônia verde, proveniente de fontes renováveis, com a amônia cinza, feita a partir de gás natural, e a amônia azul, que utiliza gás natural com captura e armazenamento de carbono.
Qual é a situação atual da produção de fertilizantes no Brasil? Atualmente, 97% dos fertilizantes nitrogenados utilizados no país são importados, e há um plano para aumentar a produção nacional e reduzir as emissões.
O que o estudo sugere para reduzir a dependência de importações? Os pesquisadores enfatizam a necessidade de ações estratégicas, alinhamento de políticas, investimentos, expansão de infraestrutura e estímulo à demanda para avançar na produção de fertilizantes renováveis.
Fonte: https://globorural.globo.com
