No dia 2 de abril do ano passado, Donald Trump proclamou o que chamou de “Dia da Libertação”. Durante um evento na Casa Branca, o então presidente dos Estados Unidos anunciou novas tarifas de importação que seriam aplicadas a produtos oriundos de diversos países.
Embora a lista de tarifas incluísse várias nações, dois parceiros comerciais significativos dos EUA, o México e o Canadá, não foram afetados inicialmente. A Casa Branca, posteriormente, impôs tarifas sobre alguns produtos específicos dessas nações, como aço, alumínio e componentes automotivos, mas ambos os países conseguiram evitar os impactos mais severos.
Impacto positivo nas exportações mexicanas
Essa estratégia foi crucial para que investidores e empresas internacionais mantivessem sua confiança no México como um destino competitivo para exportações destinadas aos Estados Unidos. A combinação da localização geográfica do país e sua indústria em desenvolvimento ao longo dos anos contribuiu para esse cenário favorável.
Desde o anúncio de Trump, os dados revelaram que as exportações mexicanas para os Estados Unidos não apenas permaneceram estáveis, mas aumentaram em cerca de 6%. Assim, o México se destacou como um dos “vencedores inesperados” da política tarifária americana, conforme noticiado recentemente pelo jornal The Wall Street Journal.
O papel do T-MEC nas relações comerciais
Analistas afirmam que o mercado global está em processo de adaptação às mudanças nas políticas tarifárias implementadas por Trump. Erica York, do Tax Foundation, destacou que uma das principais isenções de tarifas foi concedida a produtos que atendem às normas do T-MEC, o Tratado de Livre Comércio entre México, Estados Unidos e Canadá.
York observou um aumento significativo nas transações no âmbito do T-MEC em 2025, devido a essas isenções. O especialista mexicano Mario Campa, da Universidade Columbia, corroborou essa ideia, explicando que, diante do aumento das tarifas, os compradores americanos tendem a buscar fornecedores que ofereçam as menores alíquotas.
Desempenho das exportações mexicanas
Os produtos do México foram os menos impactados pelas tarifas de Trump. Um estudo do Modelo de Orçamento Penn Wharton (PWBM), da Universidade da Pensilvânia, revelou que, em outubro de 2025, as importações mexicanas enfrentaram uma tarifa efetiva de 4,6%, impulsionada por fatores como os benefícios do T-MEC.
O Canadá, por sua vez, teve uma tarifa de importação de 3,9%, mas seu volume de exportações para os Estados Unidos caiu 6,19% em relação a 2024, segundo informações do Departamento de Comércio americano.
Enquanto isso, o México experimentou um crescimento de 5,66% nas exportações para os EUA, com registros oficiais até novembro de 2025 mostrando seis meses consecutivos de aumento desde o anúncio de Trump.
Tarifas e efeitos globais
Em contraste, as tarifas efetivas para produtos chineses alcançaram 37,1% no ano passado, após a China ter sido o maior exportador para os Estados Unidos até 2003, quando o México assumiu essa posição. Com o retorno de Trump ao cargo em 2025, as condições para os produtos chineses no mercado americano se tornaram ainda mais desafiadoras.
A média global de tarifas efetivas de importação foi de 10,91% em outubro, um aumento significativo em comparação aos 2,2% registrados em janeiro de 2025, antes do início do segundo mandato de Trump. Os custos das tarifas mais elevadas são arcados pelos importadores americanos e, em muitos casos, pelos consumidores.
Embora o México tenha conseguido aumentar suas exportações para os Estados Unidos, o setor automotivo apresentou um desempenho abaixo do esperado, com um crescimento de apenas 0,9% em 2025, mesmo após intensas negociações visando melhores condições.
Perguntas frequentes
Por que o México se beneficiou das tarifas de Trump? O México se destacou devido à isenção de tarifas para produtos que atendem às normas do T-MEC, além de sua localização e desenvolvimento industrial.
Qual foi o impacto das tarifas nas exportações mexicanas? As exportações do México para os Estados Unidos cresceram cerca de 5,66% após o anúncio das tarifas, em contraste com a queda nas exportações canadenses.
Como o T-MEC influenciou o comércio? O T-MEC permitiu isenções tarifárias que estimularam as transações entre os países signatários, favorecendo o México em relação a outros mercados.
Quais foram as tarifas efetivas para produtos de outros países? Produtos chineses enfrentaram tarifas efetivas de 37,1%, enquanto a média global foi de 10,91% em outubro de 2025.
O setor automotivo no México teve um bom desempenho? Não, o setor automotivo cresceu apenas 0,9% em 2025, muito abaixo das expectativas, apesar das negociações.
Fonte: https://g1.globo.com
