O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou um artigo em um jornal dos Estados Unidos onde expressa sua indignação em relação à invasão da Venezuela pelos Estados Unidos, classificando a ação como uma falta de respeito. Ele destacou que a América Latina não se submeterá a ninguém.
Rejeição à violação da soberania
“Eu fico toda noite indignado com o que aconteceu na Venezuela, eu não consigo acreditar. […] Como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país? Não existe isso na América do Sul. A América do Sul é um território de paz. Nós não temos armas nucleares, apenas pessoas que desejam trabalhar e viver dignamente”, afirmou Lula.
O presidente ressaltou que, apesar de não possuir armamento, o Brasil tem caráter e dignidade. “Não abaixaremos a cabeça para ninguém. Vamos dialogar de cabeça erguida, respeitando o povo brasileiro e nossa soberania. Isso se aplica a todas as nações do mundo”, disse.
Crise política global
Lula também mencionou que o mundo atravessa um período político crítico, observando que a Carta das Nações Unidas está sendo desrespeitada, com a prevalência da “lei do mais forte” nas relações internacionais. Para ele, a atual conjuntura reflete um enfraquecimento do multilateralismo e um aumento de posturas unilaterais.
Ele citou episódios recentes em países da América Latina, como Chile, Paraguai, Equador, Costa Rica e Honduras, além da eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, como parte de um cenário mais amplo de instabilidade democrática.
Defesa do multilateralismo
O presidente destacou que sua administração tem buscado intensificar a diplomacia nas últimas semanas, visando articular uma resposta internacional ao enfraquecimento do multilateralismo. Lula revelou que tem mantido contato com líderes de diversas nações, incluindo potências globais e países da América Latina.
“Estou há uma semana telefonando para países do mundo inteiro”, afirmou. Ele mencionou diálogos com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente da China, Xi Jinping, além de conversas com líderes do México e da Hungria.
Relações internacionais do Brasil
Lula enfatizou que a política externa do Brasil não se baseia em alianças exclusivas. O país deseja manter relações com diversas nações, independentemente de diferenças ideológicas ou disputas geopolíticas. “Queremos relacionar-nos com os Estados Unidos, Cuba, China e Rússia. Não temos preferência”, declarou.
Entretanto, ele destacou que o Brasil não aceita relações de subordinação, afirmando: “O que não aceitamos é voltar a ser colônia para que alguém mande em nós.”
Críticas à militarização
Lula criticou a glorificação do poder militar como meio de intimidação no cenário internacional. Ele se posicionou contra confrontos armados, declarando: “Eu não quero guerra. Sou um homem da paz.” Segundo ele, discursos que enfatizam a força militar alimentam uma lógica de intimidação.
Fonte: https://g1.globo.com
