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Família Vorcaro busca créditos de carbono com respaldo do Incra

A Alliance Participações e Investimentos Ltda, empresa vinculada à família de Daniel Vorcaro, do Banco Master, está em discussões com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para a geração de créditos no mercado de carbono em uma área de assentamento extrativista em Apuí, no Amazonas. Essa movimentação ocorre sem a devida consulta prévia à comunidade local, tentando revitalizar um projeto anterior que foi cancelado devido a alegações de fraude fundiária.

Estrutura da empresa

A Alliance é composta por Henrique Vorcaro, pai de Daniel, e sua irmã Natália Vorcaro. José Antonio Ramos Bittencourt atua como representante da empresa nas interações com o Incra. Essa nova iniciativa surge após o cancelamento de um projeto anterior de geração de ativos ambientais, que foi suspenso em dezembro de 2024, conforme reportado pela Globo Rural.

Projeto anterior e novo plano

O projeto anterior envolvia a geração de ‘tokens de carbono’ na Fazenda Floresta Amazônia, que apresentava uma sobreposição de 68% com o Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Aripuanã-Guariba, propriedade da União. Após a suspensão, Bittencourt buscou o Incra para dar continuidade a um novo projeto, desta vez focando exclusivamente na área do assentamento.

Uma fonte ligada à Alliance revelou que a intenção é reverter a situação e regularizar os ‘tokens de carbono’ gerados anteriormente. Em junho de 2025, a empresa Zabotto Ambiental, contratada pela Alliance, divulgou um convite para reuniões na região, abordando o projeto ‘PSA Aripuanã-Guariba’.

Eventos e discussões

Em outubro de 2025, o Incra organizou eventos em Humaitá e Manaus para discutir a gestão do assentamento e a viabilidade de projetos de crédito de carbono. Bittencourt e representantes da Zabotto Ambiental participaram das discussões. Na mesma época, João Pedro Gonçalves da Costa, diretor nacional de governança da terra do Incra, enviou um pedido à Procuradoria Federal Especializada do órgão para um parecer sobre a possibilidade de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) relacionado ao projeto.

Falta de consulta prévia

Para implementar um projeto de monetização de ativos, é necessário que haja uma consulta livre, prévia e informada (CLPI) com as comunidades locais. Até o momento, essa consulta não foi realizada com os assentados sobre o novo projeto. Membros da Associação Agroextrativista Aripuanã-Guariba (Asaga), que representam parte dos assentados, relataram à Globo Rural que não estavam cientes do novo projeto.

O presidente da Asaga, Rosivaldo Góis, afirmou que ainda não recebeu informações sobre a iniciativa. Além disso, Raylton Pereira, engenheiro florestal da associação, declarou não ter conhecimento sobre a Alliance ou Bittencourt. Alessandro Zabotto, da Zabotto Ambiental, argumentou que a consulta anterior havia sido realizada em 2024, mas não tinha informações sobre a propriedade da Alliance.

Geração de tokens de carbono

O projeto anterior, que previa a geração de ‘tokens de carbono’, conseguiu produzir ativos entre 2023 e 2024. Esses tokens foram geridos por fundos associados à Reag, incluindo o fundo New Jade, que tem ligação com Bittencourt e Marco Antônio de Mello, que adquiriu a fazenda em questão.

Posição dos envolvidos

Marco Antônio de Mello, ao ser contatado, afirmou que verificou a documentação antes da compra da propriedade e recebeu do Incra a confirmação de que a área poderia ser regularizada. A situação continua gerando incertezas e questionamentos sobre a validade e a transparência do processo.

Perguntas frequentes

Qual é o foco do novo projeto da Alliance? O novo projeto visa a geração de créditos de carbono em uma área de assentamento extrativista em Apuí, Amazonas, sem consulta prévia à comunidade local.

Quem são os sócios da Alliance Participações e Investimentos Ltda? A empresa é formada por Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, e sua irmã Natália Vorcaro, com José Antonio Ramos Bittencourt como representante.

O que aconteceu com o projeto anterior da Alliance? O projeto anterior foi cancelado em dezembro de 2024 devido a alegações de fraude fundiária, conforme reportado pela Globo Rural.

Qual é o papel do Incra nesse projeto? O Incra está negociando a possibilidade de um novo projeto de geração de créditos de carbono e promoveu eventos para discutir a gestão territorial do assentamento.

As comunidades locais foram consultadas sobre o novo projeto? Não, até o momento, não houve uma consulta livre, prévia e informada com as comunidades sobre o novo projeto da Alliance.

O que são ‘tokens de carbono’? ‘Tokens de carbono’ são ativos ambientais que representam uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) que foi evitada ou removida da atmosfera, podendo ser comercializados no mercado de carbono.

Fonte: https://globorural.globo.com

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