Os Estados Unidos estão em conversações com aliados da Otan para aumentar sua presença militar na Groenlândia. As discussões, que tiveram início na quarta-feira, 21, incluem a possibilidade de enviar mais tropas, construir novas bases e até mesmo de que algumas áreas do território fiquem sob controle americano.
Motivações de Trump
O presidente Donald Trump justificou a necessidade de controlar a Groenlândia como uma questão de segurança nacional, visando proteger o Ártico contra ameaças provenientes da Rússia e da China. Ele declarou que não pretende usar a força militar para assegurar a ilha, mas não hesitou em ameaçar países europeus com tarifas.
Esse cenário gerou tensões nas relações entre os EUA e a Europa. Em resposta, autoridades europeias destacaram que a sua relação com os Estados Unidos foi afetada. A Dinamarca, por sua vez, reafirmou que a soberania sobre a Groenlândia não está em pauta nas negociações.
Planos para a Groenlândia
Um dos objetivos de Trump em relação à ilha é estabelecer uma infraestrutura para o que é denominado Domo de Ouro, um sistema militar projetado para interceptar mísseis direcionados ao território americano.
De acordo com o jornal The New York Times, as discussões dentro da Otan se concentram em três pontos principais: a atualização do acordo de 1951 entre os EUA e a Dinamarca, restrições a países fora da Otan e uma nova missão da Otan no Ártico.
Em relação ao primeiro ponto, a proposta inclui a possibilidade de que os Estados Unidos adquiram pequenas parcelas da Groenlândia, com controle total e soberania plena sobre essas áreas. Isso implicaria que a Groenlândia e outros países europeus não poderiam intervir nessas porções de terra, que funcionariam como território americano, essencial para o Domo de Ouro.
Preocupações com a independência
O governo dos EUA está preocupado com a possibilidade de a Groenlândia buscar a independência, já que a Dinamarca autorizou um referendo sobre o assunto. Um futuro governo groenlandês poderia optar por encerrar ou limitar o acordo de 1951, que viabilizou a instalação da base militar americana na região.
Na quinta-feira, 22, Trump mencionou que está em negociações para garantir um acesso ‘total e permanente’ à Groenlândia, embora os detalhes ainda não tenham sido finalizados. Ele afirmou: “Os detalhes ainda estão sendo discutidos. Mas, essencialmente, é acesso total. Não tem fim, não tem prazo”.
Reação da Dinamarca e da Groenlândia
A Dinamarca reiterou que a soberania da Groenlândia não foi discutida nas reuniões, enquanto o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, enfatizou que a soberania é um ponto inegociável. Ele afirmou: “Não podemos ultrapassar linhas vermelhas. É preciso respeitar a integridade territorial, o direito internacional e a soberania”.
Reação da União Europeia
A União Europeia declarou que se defenderá contra qualquer forma de coerção e anunciou planos para aumentar os investimentos em segurança no Ártico, incluindo a aquisição de equipamentos militares adequados ao ambiente polar. A situação da Groenlândia foi tema de uma reunião de emergência do bloco.
Após o encontro, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, reafirmou que a UE permanece aberta ao diálogo com os EUA sobre questões de interesse mútuo, mas indicou que o bloco adotará uma postura cautelosa. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou a importância de fortalecer acordos de segurança e defesa com parceiros da região, como Reino Unido, Canadá, Noruega e Islândia.
Perguntas frequentes
Qual é o objetivo das negociações entre os EUA e a Groenlândia? O objetivo é ampliar a presença militar dos EUA na Groenlândia, incluindo a construção de novas bases e o controle de partes do território.
O que Trump disse sobre a Groenlândia? Trump afirmou que precisa da Groenlândia para segurança nacional e que está em negociações para garantir acesso total e permanente ao território.
Como a Dinamarca e a Groenlândia estão reagindo? A Dinamarca reafirmou que a soberania da Groenlândia não está em discussão, enquanto o primeiro-ministro groenlandês destacou que a soberania é uma linha vermelha nas negociações.
Qual é a preocupação dos EUA em relação à independência da Groenlândia? Os EUA temem que um futuro governo groenlandês possa encerrar ou restringir o acordo de 1951 que permite a presença militar americana na ilha.
Qual foi a resposta da União Europeia às negociações? A União Europeia anunciou que se defenderá contra qualquer forma de coerção e planeja aumentar os investimentos em segurança no Ártico.
Fonte: https://g1.globo.com
