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Dinamarca, alvo de Donald Trump por conta da Groenlândia, é aliada histórica dos EUA e enviou tropas para Iraque e Afeganistão

Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, Donald Trump declarou que ‘ninguém pode defender a Groenlândia como os EUA’. Desde o início de sua nova campanha pela anexação da Groenlândia, o presidente americano tem criticado a Dinamarca de forma incisiva.

Em seu discurso no dia 21 de janeiro, ele chamou a nação dinamarquesa de ‘ingrata’ e afirmou que a Europa não está seguindo o caminho correto ao apoiar Copenhague na disputa. No mesmo evento, Trump também mencionou que estava em negociações com a OTAN, a aliança militar ocidental.

Uma aliança histórica

Apesar das recentes tensões, a relação entre EUA e Dinamarca é marcada por uma sólida aliança militar que se desenvolveu desde a Segunda Guerra Mundial. O presidente americano frequentemente expressa sua insatisfação com a falta de apoio de seus aliados da OTAN em questões que considera de interesse nacional.

Trump mencionou: ‘O problema com a OTAN é que estaremos lá por eles, 100%, mas não tenho certeza se eles estarão lá por nós’. Ele fez essa afirmação em um momento em que confundiu Groenlândia com Islândia, referindo-se a perdas financeiras.

Compromissos da Dinamarca

A desconfiada reação dos dinamarqueses às críticas de Trump se justifica, pois, após os ataques de 11 de setembro de 2001, a Dinamarca foi um dos países que mais se comprometeu com a Guerra ao Terror promovida pelos EUA. Após a invasão do Afeganistão, cerca de 9.500 soldados dinamarqueses foram enviados para apoiar as operações, resultando em 43 fatalidades.

Na invasão do Iraque, 500 militares dinamarqueses participaram da luta ao lado dos americanos, com três deles não retornando. Segundo Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da UFF, ‘a Dinamarca, em termos per capita, perdeu mais soldados nas guerras do Afeganistão e do Iraque apoiando os Estados Unidos do que os próprios EUA’.

Raízes da aliança

A parceria entre os Estados Unidos e a Dinamarca foi estabelecida durante a Segunda Guerra Mundial, que marcou o fim da política de neutralidade do país nórdico. A ocupação alemã, iniciada em 9 de abril de 1940, fez com que a Dinamarca percebesse que essa neutralidade não garantia sua segurança.

Foi nesse contexto que os EUA começaram a estabelecer bases militares na Groenlândia, que na época era território dinamarquês. Em 1941, a Base Aérea de Thule, atualmente conhecida como Base Aérea Pituffik, foi criada após um acordo com o embaixador dinamarquês em Washington.

Tentativa de compra da Groenlândia

Em 1946, os EUA ofereceram US$ 100 milhões à Dinamarca para adquirir a Groenlândia e até sugeriram trocar terras ricas em petróleo no Alasca por áreas estratégicas da ilha. Embora a venda não tenha ocorrido, os EUA conseguiram manter as bases militares que desejavam.

Após a guerra, a Dinamarca abandonou sua neutralidade e, em 1949, se tornou um dos 12 membros fundadores da OTAN. Sua localização estratégica durante a Guerra Fria, controlando estreitos no Mar Báltico e no Atlântico Norte, foi crucial, especialmente devido à proximidade da Groenlândia com o território soviético.

Comentários polêmicos de Trump

No evento em Davos, Trump afirmou que os EUA foram ‘estúpidos’ ao devolver a Groenlândia à Dinamarca após a Segunda Guerra Mundial, comentando: ‘Demos a Groenlândia de volta para a Dinamarca, que ideia estúpida’. No entanto, não houve uma devolução real, já que a ilha não foi reivindicada como território americano.

Além disso, Trump ressaltou que não pretende usar a força para anexar a Groenlândia, mas reafirmou seu interesse em comprar o território, mantendo um tom de ameaça em suas declarações.

Perguntas frequentes

Qual foi a crítica de Trump à Dinamarca? Trump criticou a Dinamarca por ser ‘ingrata’ em relação aos interesses dos EUA na Groenlândia durante seu discurso em Davos.

Qual é a relação da Dinamarca com os Estados Unidos? A Dinamarca e os EUA possuem uma forte aliança militar que remonta à Segunda Guerra Mundial, com a Dinamarca enviando tropas para apoiar as operações americanas no Afeganistão e no Iraque.

Quantos soldados dinamarqueses morreram em guerras apoiadas pelos EUA? Na guerra do Afeganistão, 43 soldados dinamarqueses perderam a vida, enquanto na invasão do Iraque, 3 soldados também faleceram.

O que aconteceu com a política de neutralidade da Dinamarca? A Dinamarca abandonou sua política de neutralidade após a ocupação alemã durante a Segunda Guerra Mundial e se tornou membro da OTAN em 1949.

Os EUA tentaram comprar a Groenlândia? Sim, em 1946, os EUA ofereceram US$ 100 milhões à Dinamarca para adquirir a Groenlândia, mas a venda não se concretizou.

O que Trump disse sobre a devolução da Groenlândia? Trump afirmou que foi ‘estúpido’ devolver a Groenlândia à Dinamarca, mas essa alegação é incorreta, pois a ilha nunca foi oficialmente reivindicada como território americano.

Fonte: https://g1.globo.com

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