Nesta quinta-feira (22), um trem de passageiros colidiu com um guindaste nas proximidades de Cartagena, no sudeste da Espanha, resultando em “vários feridos leves”, conforme informou a companhia ferroviária nacional, Renfe. Este foi o quarto incidente ferroviário no país em apenas uma semana.
De acordo com uma porta-voz da Renfe, o acidente não resultou no descarrilamento do trem, mas o serviço foi interrompido entre Cartagena e Los Nietos. A empresa esclareceu que um “guindaste externo”, que não pertence à Renfe, foi o responsável pela colisão.
A Adif, gestora da rede ferroviária da Espanha, informou que as operações foram retomadas cerca de uma hora e meia após o acidente. Os serviços de emergência da região foram acionados às 12h04 para responder ao incidente em Alumbres, que deixou “vários feridos leves”, embora sem um número exato de feridos.
Incidentes anteriores e crescente preocupação com a segurança
Este acidente ocorre em um contexto de crescente preocupação acerca da segurança no sistema ferroviário espanhol, especialmente após dois acidentes graves que resultaram em 44 mortes desde domingo (18). O primeiro deles aconteceu em Adamuz, na Andaluzia, onde pelo menos 43 pessoas faleceram após a colisão entre dois trens de alta velocidade. As circunstâncias que levaram a essa tragédia estão sendo investigadas, e o número de mortos pode aumentar à medida que as equipes de resgate continuam suas buscas.
Dois dias após o desastre em Adamuz, na Catalunha, um trem metropolitano, que se dirigia a Barcelona, colidiu com os destroços de um muro de contenção que desabou sobre os trilhos, resultando na morte do condutor e em cinco feridos graves. O acidente ocorreu sob forte chuva na noite de terça-feira.
Além disso, um terceiro descarrilamento, na mesma região, foi causado por um deslizamento de rochas sobre os trilhos, mas, felizmente, não houve feridos, segundo a Adif.
Greve de maquinistas programada
Em meio a esse cenário de tensão, o principal sindicato dos maquinistas anunciou uma greve de três dias, marcada para 9 a 11 de fevereiro, com o objetivo de exigir medidas que garantam maior segurança no transporte ferroviário.
O Ministro dos Transportes, Óscar Puente, se manifestou em coletiva de imprensa na quarta-feira, afirmando que é necessário “não pôr em dúvida” a rede ferroviária nacional, reconhecendo que, embora não seja perfeita, é um sistema de transporte de qualidade. Ele expressou seu desejo de atender às demandas dos maquinistas, mas esperava que a greve fosse cancelada.
Enquanto isso, o país ainda se recupera da dor das vítimas do acidente em Adamuz, que levou à declaração de um luto nacional de três dias.
Críticas à gestão da segurança ferroviária
Na quarta-feira, a oposição criticou o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez, alegando que houve investimentos insuficientes na infraestrutura ferroviária. Sánchez, por sua vez, prometeu “transparência total” em relação ao desastre de Adamuz.
Com uma extensão de 4.000 quilômetros, a rede ferroviária de alta velocidade da Espanha é a segunda maior do planeta, atrás apenas da da China, sendo um orgulho para o país. A Espanha, que é o segundo destino turístico mais popular do mundo, não havia registrado acidentes ferroviários graves desde 2013, quando um descarrilamento próximo a Santiago de Compostela resultou na morte de 80 pessoas.
Perguntas frequentes
Quantos acidentes ferroviários ocorreram na Espanha nesta semana? Quatro acidentes foram registrados na Espanha em menos de uma semana, culminando em um recente choque entre um trem e um guindaste.
Quantas pessoas ficaram feridas no último acidente? O acidente próximo a Cartagena deixou “vários feridos leves”, segundo informações da Renfe.
O que causou os acidentes recentes na Espanha? Os acidentes são objeto de investigação, mas um deles envolveu a colisão de trens de alta velocidade e outro foi causado pelo desabamento de um muro de contenção.
Quando está programada a greve dos maquinistas? A greve dos maquinistas está agendada para ocorrer de 9 a 11 de fevereiro, em resposta às preocupações com a segurança no transporte ferroviário.
Qual foi a resposta do governo às críticas sobre a segurança ferroviária? O governo prometeu transparência em relação ao acidente de Adamuz e reconheceu a necessidade de atender às reivindicações dos maquinistas.
Fonte: https://g1.globo.com




