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Bioinsumos e Agricultura Sustentável: A Ciência a Favor do Campo

Nos últimos anos, o Brasil tem se reafirmado como um ator crucial na agricultura global, não apenas pela sua capacidade produtiva, mas também como um pilar de uma agenda ambiental cada vez mais robusta. A temática da agricultura de baixo carbono deixou de ser uma perspectiva futura e agora reflete práticas que já estão em vigor nas lavouras.

Nesse cenário, os bioinsumos se destacam como parte de um novo modelo de produção, fundamentado na ciência, na pesquisa aplicada e na eficiência agronômica.

Durante muitos anos, a produção agrícola focou na intensificação do uso de insumos químicos, buscando correções rápidas e aumentos imediatos na produtividade. Embora esse modelo tenha trazido avanços significativos, também expôs limites técnicos, ambientais e econômicos. A evolução do setor agora se direciona para uma abordagem mais holística, que considera o solo um organismo vivo e o manejo um processo integrado.

É neste contexto que os bioinsumos, como biodefensivos, biofertilizantes e inoculantes, adquirem importância como ferramentas tecnológicas que promovem tanto a eficiência produtiva quanto a sustentabilidade.

Os bioinsumos não apenas substituem insumos tradicionais, mas também fortalecem os sistemas produtivos ao promover equilíbrio biológico, otimização no uso de nutrientes e maior resiliência das culturas. Essa abordagem requer conhecimento, planejamento e acompanhamento técnico, mas oferece resultados consistentes ao longo do tempo.

A capacidade dos bioinsumos de gerar efeitos cumulativos, melhorar a qualidade do solo e reduzir emissões indiretas de gases de efeito estufa (GEE) coloca essa questão no centro da discussão sobre a chamada ‘Lei do Carbono’.

A Lei do Carbono

A Lei do Carbono 15.042/2024 é um elemento essencial desse movimento, uma vez que institui o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE) e estabelece as bases para um mercado regulado de carbono no Brasil. A legislação organiza o ambiente de transação de créditos, diferencia o mercado regulado do voluntário e cria mecanismos para valorizar as reduções e remoções de emissões.

Embora o agronegócio não esteja, neste primeiro momento, entre os setores obrigatoriamente regulados, os produtores rurais começam a operar em um cenário onde o carbono se torna um ativo econômico, com regras e possibilidades de remuneração por serviços ambientais.

O crescimento desse mercado está alinhado com a evolução de políticas públicas voltadas para a agricultura de baixo carbono e programas que incentivam práticas sustentáveis no campo. Essas iniciativas têm ampliado o acesso ao crédito, promovido a disseminação de conhecimento técnico e oferecido maior previsibilidade para investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

Dessa forma, a produção biológica deixou de ser uma opção restrita a nichos e passou a fazer parte de estratégias de gestão agrícola em diversas escalas.

Práticas de Agricultura Sustentável

Práticas ligadas à agricultura de baixo carbono, como o uso intensivo de bioinsumos, o plantio direto, a integração lavoura-pecuária-floresta e a recuperação de pastagens, agora podem ser mensuradas em relação ao carbono no solo e à redução de emissões.

Os bioinsumos deixaram de ser meros substitutos de produtos químicos e passaram a fazer parte de sistemas que proporcionam suporte técnico para projetos de crédito de carbono, à medida que as metodologias de medição, relato e verificação (MRV) evoluem.

Os impactos dessa transformação são visíveis tanto nas propriedades rurais quanto nos centros de pesquisa, com avanço na capacitação técnica e aumento dos investimentos em inovação. O controle biológico já está presente em diversas culturas e regiões, ajudando na redução de resíduos químicos, na preservação do solo e no manejo eficaz de pragas, sem comprometer o equilíbrio do ecossistema. Além dos benefícios ambientais, os produtores também notam vantagens econômicas ligadas a uma maior estabilidade na produção.

Entretanto, nenhuma mudança dessa magnitude é sustentável sem um marco regulatório eficaz. A criação de uma legislação específica para os bioinsumos é crucial para o desenvolvimento do setor. A previsibilidade regulatória influencia prazos, custos e decisões de investimento.

A nova Lei dos Bioinsumos (Lei nº 15.070/2024) está em fase de regulamentação, com expectativa de solidificar o mercado a partir de 2026.

Diante desse cenário, o Brasil possui condições ímpares para liderar essa transformação em escala global, apoiado por sua biodiversidade, capacidade técnica e infraestrutura de pesquisa. Para garantir esse protagonismo, é fundamental continuar investindo em ciência aplicada, fortalecer o ambiente regulatório e ampliar o diálogo entre pesquisa, produtores e o mercado.

Perguntas frequentes

Quais são os bioinsumos? Bioinsumos são produtos biológicos, como biodefensivos, biofertilizantes e inoculantes, que promovem a sustentabilidade e a produtividade na agricultura.

O que é a Lei do Carbono? A Lei do Carbono 15.042/2024 institui o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa, criando um mercado regulado de carbono no Brasil.

Como os bioinsumos impactam a produção agrícola? Os bioinsumos melhoram o equilíbrio biológico, a eficiência no uso de nutrientes e a resiliência das lavouras, contribuindo para uma agricultura mais sustentável.

Qual a importância da regulamentação para os bioinsumos? A regulamentação é essencial para criar um ambiente de previsibilidade que impacta decisões de investimento e desenvolvimento do setor.

A agricultura de baixo carbono é uma tendência no Brasil? Sim, a agricultura de baixo carbono está se tornando uma prática comum, com políticas públicas e programas que incentivam essa abordagem.

Quais práticas sustentáveis estão sendo adotadas? Práticas como o uso de bioinsumos, plantio direto e integração lavoura-pecuária-floresta estão sendo cada vez mais adotadas para promover a sustentabilidade na agricultura.

Fonte: https://globorural.globo.com

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