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Usinas de etanol de trigo impulsionam demanda pelo cereal no Rio Grande do Sul

O trigo, cultivado durante o inverno e historicamente enfrentando dificuldades de comercialização, está vivendo um novo momento de oportunidades no Rio Grande do Sul, o maior produtor do Brasil. Combinando energia renovável, indústria e novos subprodutos, iniciativas no estado estão apostando no cereal como uma alternativa para diversificar mercados, valorizar a produção local e diminuir a dependência de produtos de outras regiões.

A primeira usina de etanol de trigo

Um dos empreendimentos é a CB Bioenergia, localizada em Santiago (RS), que recentemente recebeu a autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para iniciar suas operações, tornando-se a primeira usina de etanol de trigo no Brasil. Com um investimento de R$ 100 milhões, a unidade terá capacidade para processar cerca de 100 toneladas de trigo por dia, resultando em 40 mil litros de etanol.

Maria Eduarda Bonotto, diretora da empresa e filha de agricultores de trigo, explicou que a ideia surgiu devido às dificuldades enfrentadas na hora de comercializar o cereal colhido no inverno. “Chegava ao final da colheita e a gente vendia esse trigo por um preço muito baixo, muitas vezes enfrentando descontos por qualidade. Não é como outras commodities, como a soja”, afirmou.

Inspiração no Centro-Oeste

A família Bonotto se inspirou nas estratégias do Centro-Oeste, onde os desafios de comercialização do milho foram superados com a construção de usinas de etanol, resultando em uma valorização do cereal de verão. Atualmente, eles cultivam cerca de 36 mil hectares de trigo, e inicialmente, esse grão será utilizado na usina, com a intenção de adquirir cargas de produtores locais no futuro.

Maria Eduarda acrescentou que o trigo será avaliado pela quantidade de amido, permitindo que grãos com pH inferior também sejam processados, garantindo uma alternativa para produtores que têm dificuldades em vender grãos de qualidade inferior.

Produção e mercado

Cada tonelada de trigo processada gera aproximadamente 400 litros de etanol e 300 quilos de DDGS (grãos secos solúveis de destilaria, usados na alimentação animal). A usina também poderá utilizar outras culturas, tanto de inverno quanto de verão, que apresentem amido, como cevada, centeio, sorgo, triticale, milho e arroz.

A CB Bioenergia se concentrará na produção de etanol hidratado, que pode ser utilizado diretamente, mas a intenção é transformá-lo em álcool neutro para cosméticos, bebidas e álcool em gel, diferenciando-se do etanol anidro, que é misturado à gasolina. Maria Eduarda esclareceu que não vê o etanol de trigo como concorrente do de milho ou cana: “Estamos mirando um mercado diferente, não queremos competir na bomba de gasolina.”

Outras iniciativas no setor

Outra iniciativa importante é da Be8, uma das principais produtoras de biocombustíveis do Brasil. A usina de etanol de trigo da empresa, com um investimento de R$ 1 bilhão, começou a ser construída em julho de 2024 em Passo Fundo. Com 40% da obra concluída, a previsão é que a usina inicie suas operações em dezembro deste ano.

A planta será flexível, produzindo tanto etanol anidro, que pode ser misturado à gasolina, quanto hidratado, para consumo direto. Leandro Zat, vice-presidente de operações da Be8, destacou que o projeto surgiu da necessidade do Rio Grande do Sul importar todo o volume consumido de etanol e também como uma alternativa para as culturas de inverno.

Produção de glúten vital

O projeto da Be8 não se limita à produção de etanol; ele também inclui a produção de glúten vital, um melhorador de farinhas. O Brasil atualmente importa 100% de sua demanda por glúten vital, cerca de 24 mil toneladas anualmente. A Be8 planeja produzir 26,9 mil toneladas por ano, atendendo ao mercado interno e permitindo exportações.

A usina terá capacidade para processar 1,5 mil toneladas de matéria-prima diariamente, totalizando 525 mil toneladas por ano. Isso deverá resultar em 220 milhões de litros de etanol, o que representa 23% da demanda do Rio Grande do Sul, além de 150 mil toneladas de DDGS.

Para a produção de glúten vital, a Be8 pretende utilizar trigo de qualidade. Zat mencionou que há cultivares específicas voltadas para esse projeto, que poderão ser ajustadas de acordo com as condições climáticas, mas que também poderão ser abastecidas com trigo destinado à panificação.

Perguntas frequentes

Qual é a importância do etanol de trigo no Rio Grande do Sul? O etanol de trigo representa uma alternativa para diversificar a economia local, valorizando o cultivo e reduzindo a dependência de produtos de outras regiões.

Como funciona a usina da CB Bioenergia? A usina processa cerca de 100 toneladas de trigo diariamente, gerando 40 mil litros de etanol, e prioriza o uso de grãos mesmo de qualidade inferior.

Quais culturas podem ser utilizadas na produção de etanol? Além do trigo, podem ser usadas cevada, centeio, sorgo, triticale, milho e arroz, desde que apresentem amido.

Qual o diferencial do etanol produzido pela Be8? A Be8 irá produzir tanto etanol anidro, que pode ser misturado à gasolina, quanto etanol hidratado, para consumo direto, além de glúten vital.

Quantas toneladas de etanol a Be8 pretende produzir? A Be8 planeja produzir 220 milhões de litros de etanol por ano, o que atende 23% da demanda do estado.

Como o glúten vital se relaciona com a produção de etanol? O glúten vital, que a Be8 pretende produzir, é um melhorador de farinhas e pode ser produzido a partir do mesmo trigo usado na produção de etanol.

Fonte: https://globorural.globo.com

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