O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulgou nesta segunda-feira (26/1) o novo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cana-de-açúcar cultivada em sequeiro. Essa cultura é voltada para a produção de etanol, açúcar e outros produtos.
Esta atualização é a primeira após a revogação do Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar (ZAE Cana) em 2019.
Mudanças e restrições no novo zoneamento
Santiago Cuadra, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, comentou que, apesar da inclusão de municípios da Amazônia e do Pantanal, as modificações foram limitadas. “Houve mudanças, principalmente em áreas de transição entre Cerrado e Amazônia, mas não houve alterações significativas em termos regionais”, ressaltou.
De acordo com Cuadra, a cultura da cana-de-açúcar voltada para a produção de etanol e açúcar requer um período de cerca de seis meses sem chuvas para a colheita, o que não é viável na maior parte da Amazônia. Além disso, as elevadas temperaturas do Pantanal também inviabilizam sua produção na região.
Por outro lado, o Zarc para a cana destinada a outros produtos, como cachaça, melaço e forragem para animais, teve sua abrangência ampliada. As restrições permanecem em regiões do semiárido nordestino e em alguns municípios de maior altitude em Santa Catarina e sul de Minas Gerais.
Dados sobre a cultura da cana-de-açúcar
Nos últimos dez anos, a área dedicada à cana-de-açúcar no Brasil variou entre 9,1 e 10,2 milhões de hectares, com a maior parte localizada na região Centro-Sul. São Paulo é o estado que concentra cerca de 50% das lavouras do país.
A nova versão do Zarc categoriza as melhores áreas para o cultivo, definindo níveis de risco de perdas de 20%, 30%, 40% e acima de 40%, sendo que neste último caso não é recomendada a plantação.
A avaliação de risco considerou a capacidade de armazenamento de água do solo, o padrão de chuvas na região e o ciclo da cultura.
Implicações para políticas públicas
O zoneamento é fundamental para diversas políticas públicas, como o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Recentemente, passou a ser uma exigência para a elegibilidade ao crédito rural.
Para a safra 2025/2026, por exemplo, é obrigatória a observância do Zarc em operações de crédito de custeio superiores a R$ 200 mil que utilizam recursos controlados.
Perguntas frequentes
Qual é o objetivo do novo Zarc para a cana-de-açúcar? O novo Zarc visa classificar as áreas mais adequadas para o cultivo da cana-de-açúcar em sequeiro, considerando o risco climático para a produção de etanol, açúcar e outros produtos.
Quais regiões foram incluídas no novo zoneamento? O novo zoneamento incluiu municípios da Amazônia e do Pantanal, embora as alterações tenham sido consideradas limitadas.
Quais produtos estão cobertos pelo Zarc da cana-de-açúcar? O Zarc abrange a cana-de-açúcar destinada à produção de etanol, açúcar, cachaça, melaço e forragem para alimentação animal.
Como o Zarc impacta as políticas públicas? O zoneamento é utilizado em programas como o Proagro e o PSR, e se tornou uma condição para a elegibilidade ao crédito rural, impactando diretamente a agricultura.
Quais são os critérios para a classificação de risco no novo Zarc? A classificação de risco considera a capacidade de armazenamento de água do solo, o regime de chuvas e o ciclo da cultura.
Quando é obrigatório seguir o novo Zarc? Para a safra 2025/2026, o Zarc deve ser seguido em operações de crédito de custeio acima de R$ 200 mil que utilizam recursos controlados.
Fonte: https://globorural.globo.com




