A lichia tem se consolidado como uma nova tradição nas celebrações de fim de ano no Brasil. Com os avanços na técnica de cultivo da fruta originária da China, os produtores locais estão aumentando a aceitação e a demanda. Uma das boas notícias é que, com a colheita iniciando em dezembro, os preços tornam-se significativamente mais acessíveis.
Neste mês de janeiro, a lichia apresenta uma redução de 78,8% em relação a dezembro de 2025 e uma queda de 49,7% se comparada ao mesmo período do ano anterior, conforme dados da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp).
Além de mais em conta, a qualidade da fruta também melhora, de acordo com Ricardo Soares de Arruda Pinto, principal produtor de lichia na América Latina, que cultiva 26 mil pés em 113 hectares na cidade de Itaí, em São Paulo. Desses, 17 mil já estão em produção.
Adoçura e condições favoráveis
Ricardo destaca que, após extensas pesquisas, foi possível constatar que a lichia se adapta bem em regiões tropicais. No Brasil, que se encontra ao longo do Trópico de Capricórnio, há uma vantagem para seu cultivo. Ele também menciona que, especialmente neste ano, as condições climáticas contribuíram para um aumento no dulçor da fruta.
Outra novidade que deve chegar ao mercado brasileiro é a “lichia longa vida”, segundo Ricardo. Atualmente, a durabilidade da fruta é de cinco a sete dias, mas a nova variedade poderá ter uma vida útil de até 30 dias.
Esse tipo de lichia já é comum em mercados da Europa, Canadá e Estados Unidos. Uma trading mexicana está desenvolvendo um tratamento pós-colheita específico para a cultura brasileira.
A importância do desenvolvimento do setor
João Eduardo Ramalho, que cultiva 35 hectares de lichia em Tejupá, no Alto do Paranapanema (SP), destaca a importância da colaboração para o crescimento do setor. Na última safra, sua produção atingiu 150 toneladas, superando as expectativas em 50 toneladas, embora não tenha conseguido colher toda a fruta.
Comandando a fazenda desde 2020, Ramalho trabalha ao lado da esposa, filha e genro, comercializando a maior parte da produção para São Paulo, Paraná e Santa Catarina. No entanto, ele enfrenta desafios devido à curta durabilidade da fruta.
Ricardo Pinto, também produtor em Itaí, menciona que o prazo atual para a entrega nos pontos de venda é muito limitado, de apenas sete dias. Ele investiu em uma nova tecnologia de embalagem israelense para ampliar esse prazo para até 30 dias, e a instalação está em fase final.
Pinto também planeja investir na cadeia de frio e buscar certificação de produção orgânica, ampliando assim as oportunidades de mercado. “A lichia atrai consumidores que valorizam qualidade e saúde”, afirma.
“A troca de conhecimento entre os diferentes participantes da cadeia será essencial para nosso progresso. A lichia teve um crescimento gradual até agora, e talvez possamos acelerar esse processo”, conclui.
Perguntas frequentes
Quais são os preços da lichia em janeiro de 2026? Em janeiro de 2026, a lichia está 78,8% mais barata do que em dezembro de 2025 e 49,7% mais barata em comparação ao mesmo período do ano anterior.
O que melhora na qualidade da lichia neste ano? Neste ano, as condições climáticas favoreceram o aumento do dulçor da lichia, tornando-a mais doce para os consumidores.
O que é a ‘lichia longa vida’? A ‘lichia longa vida’ é uma nova variedade que terá uma durabilidade de até 30 dias, em comparação aos cinco a sete dias da lichia atual.
Quem é o maior produtor de lichia na América Latina? Ricardo Soares de Arruda Pinto é o maior produtor de lichia da América Latina, cultivando 26 mil pés em Itaí, SP.
Como é o cultivo de lichia no Brasil? A lichia se adapta bem em regiões próximas aos trópicos, e o Brasil, localizado ao longo do Trópico de Capricórnio, apresenta condições favoráveis para seu cultivo.
Quais são os desafios enfrentados pelos produtores de lichia? Os produtores enfrentam desafios como a curta durabilidade da fruta e a necessidade de inovação em embalagem e logística para prolongar a vida útil do produto.
Fonte: https://globorural.globo.com




