O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) admitiu, em um comunicado enviado a instituições que participaram do Enamed 2025, a existência de inconsistências nos dados fornecidos às universidades antes da divulgação dos resultados do exame.
De acordo com o Inep, a irregularidade se restringiu à base disponibilizada para as instituições se manifestarem, sem impactar os resultados publicados em 19 de janeiro. Na ocasião, o Ministério da Educação (MEC) revelou que aproximadamente 30% dos cursos de Medicina apresentaram desempenho abaixo do esperado, resultando em sanções para 99 deles, que incluem suspensão ou redução de vagas.
Reconhecimento de falhas
No ofício, a Diretoria de Avaliação da Educação Superior esclareceu que foi verificada uma “inconsistência na base dos insumos disponíveis no Sistema e-MEC”. Essa falha se deu pelo uso de uma nota de corte diferente da estipulada na Nota Técnica nº 19/2025. O Inep garantiu que os dados sobre o número de inscritos e participantes são válidos, enquanto a informação incorreta será removida do sistema.
Apesar do erro, o órgão afirma que o Conceito Enade divulgado considerou corretamente o número de alunos proficientes com base na nota de corte oficial. As instituições têm a possibilidade de verificar os dados através dos microdados públicos do exame.
Críticas e desdobramentos
A declaração do Inep corrobora as preocupações levantadas pelo Semesp, entidade que representa mantenedoras de instituições privadas de ensino. Em uma nota divulgada na segunda-feira (20), a associação destacou que os dados enviados em dezembro utilizaram um corte de 58 pontos pelo método Angoff, enquanto o resultado final aplicou 60 pontos com a Teoria de Resposta ao Item (TRI).
Em resposta à situação, a Associação Nacional das Universidades Particulares (ANUP) anunciou que recorreu à Justiça com o objetivo de suspender os “efeitos regulatórios e sancionatórios” do exame. A ANUP argumenta que essa inconsistência evidencia a necessidade de mais tempo para a consolidação técnica e institucional do Enamed.
Nota da ANUP
A ANUP divulgou uma nota reafirmando que acionou a Justiça após a confirmação das divergências nos dados disponibilizados pelo MEC às Instituições de Ensino Superior em dezembro, em comparação com os dados utilizados pelo Inep na divulgação dos resultados. A associação solicitou que apenas os dados oficiais disponibilizados pelo sistema e-MEC sejam considerados, além da revisão de critérios que afetam diretamente a avaliação.
A ANUP enfatizou que não se opõe ao Enamed nem a avaliações rigorosas para assegurar a qualidade da formação médica, mas defende que as inconsistências precisam ser resolvidas para garantir segurança jurídica e aderência dos resultados à realidade dos cursos. Assim, a associação continuará a tomar as medidas administrativas e judiciais necessárias.
Perguntas frequentes
O que o Inep reconheceu sobre os dados do Enamed? O Inep admitiu que houve inconsistências nos dados fornecidos às universidades, mas afirmou que isso não afetou os resultados do exame.
Qual foi a data da divulgação dos resultados do Enamed? Os resultados foram divulgados em 19 de janeiro.
Quantos cursos de Medicina tiveram desempenho insatisfatório? Cerca de 30% dos cursos de Medicina apresentaram desempenho abaixo do esperado.
O que a ANUP fez em resposta às inconsistências? A ANUP recorreu à Justiça para suspender os efeitos regulatórios e sancionatórios do exame devido às divergências nos dados.
Quais critérios a ANUP quer revisar? A ANUP solicitou a revisão de critérios que impactam a avaliação, como a inclusão de estudantes do 11º período.
A ANUP é contra o Enamed? Não, a ANUP defende avaliações rigorosas, mas acredita que o exame precisa de mais tempo para consolidação técnica e institucional.
Fonte: https://g1.globo.com




