A possibilidade de cortes na taxa de juros pelo Banco Central do Brasil (BC) no primeiro trimestre deste ano abre novas oportunidades para que os investidores reavaliem suas carteiras de renda fixa. Atualmente, a taxa básica de juros está fixada em 15% ao ano. De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a expectativa do mercado é que a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana mantenha a taxa sem alterações, com 70% dos bancos projetando uma redução somente em março.
Expectativas em Relação aos Juros
Conforme especialistas consultados, a cautela do BC na política de juros pode ser atribuída a incertezas geopolíticas e preocupações com a gestão das contas públicas do governo brasileiro. A estrategista de investimentos da XP, Rachel de Sá, explica que o cenário global deste ano é incerto, e esses fatores podem influenciar a avaliação de risco do BC.
As tensões no Oriente Médio, por exemplo, podem impactar os preços do petróleo no mercado internacional. O aumento no preço do petróleo tende a refletir na inflação, tanto global quanto brasileira. Além disso, a relação entre o governo dos EUA e o Federal Reserve (Fed) gera cautela, especialmente com a expectativa sobre quem substituirá Jerome Powell na presidência do Fed.
No Brasil, a possibilidade de um aumento nos gastos em um ano eleitoral e as incertezas sobre o novo presidente também são acompanhadas de perto pelos investidores. Embora haja uma perspectiva de desvalorização do dólar, que pode ajudar a controlar a inflação, ainda existem dúvidas sobre as reformas fiscais que a nova administração poderá propor.
Cenário de Cortes de Juros
Apesar das incertezas, o mercado financeiro acredita que o BC iniciará um ciclo de cortes de juros ainda este ano. O Boletim Focus, divulgado semanalmente, indica que a Selic deve terminar o ano em 12,25% ao ano, representando uma redução de 2,75 pontos percentuais em relação ao patamar atual.
Estratégias para Diversificação de Investimentos
Esse cenário oferece aos investidores a chance de desenvolver uma estratégia de diversificação em ativos de renda fixa. Um estudo da XP Investimentos revela que períodos de queda de juros favorecem especialmente títulos prefixados e aqueles atrelados à inflação (IPCA+). Os títulos prefixados têm a taxa de rendimento definida no momento da aplicação, possibilitando ao investidor conhecer o retorno no vencimento.
Os títulos indexados à inflação são aqueles que rendem a inflação do período mais uma taxa fixa. De acordo com a pesquisa, esses ativos geralmente superam o CDI (taxa referência para muitos investimentos em renda fixa no Brasil) não apenas durante as quedas de juros, mas também nos meses anteriores ao início do ciclo.
O relatório apresenta que, desde 2005, o retorno médio do índice de prefixados (IRF-M) foi de 13,3% no primeiro ano após o início dos cortes, enquanto o CDI (IMA-S) registrou 10,7% no mesmo período. Para cada 1 ponto percentual de redução na Selic, estima-se que os títulos atrelados à inflação de curto prazo valorizem em média 0,40%, enquanto os prefixados podem subir 0,50% no mesmo mês.
A estrategista da XP, Rachel de Sá, ressalta que agora é o momento propício para os investidores reequilibrarem a composição de indexadores de suas carteiras, combinando ativos prefixados, indexados à inflação e pós-fixados. Ela enfatiza que isso não significa abandonar o CDI, que ainda desempenha um papel importante, especialmente se o ciclo de cortes for limitado, além de oferecer menor volatilidade.
Preparando sua Carteira de Investimentos
Carlos Castro, planejador financeiro certificado pela Planejar, destaca que os investidores devem alocar seus recursos de forma estratégica, independentemente do ciclo econômico do país. Para ele, uma abordagem adequada deve seguir três passos fundamentais para garantir a eficiência dos investimentos.
Perguntas frequentes
Quando o Banco Central deve começar a cortar os juros? A expectativa é que os cortes na taxa de juros comecem ainda no primeiro trimestre deste ano, com uma possível redução em março segundo projeções do mercado.
Qual a taxa Selic atual? A taxa básica de juros está atualmente em 15% ao ano, segundo dados recentes do Banco Central.
Como os cortes de juros afetam os investimentos? Os cortes de juros tendem a beneficiar títulos prefixados e indexados à inflação, que podem oferecer rendimentos superiores ao CDI durante esses períodos.
Qual é a expectativa de redução da Selic até o final do ano? O Boletim Focus estima que a Selic deve encerrar o ano em 12,25% ao ano, resultando em uma diminuição de 2,75 pontos percentuais.
O que é um título prefixado? Um título prefixado é um ativo cujo rendimento é definido no momento da compra, garantindo ao investidor um retorno fixo no vencimento.
Como diversificar minha carteira de investimentos? A diversificação pode ser feita combinando diferentes tipos de ativos, como prefixados, atrelados à inflação e pós-fixados, para equilibrar o risco e o retorno da carteira.
Fonte: https://g1.globo.com




