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Vazamento de fotos de vítimas da repressão no Irã choca e revela número alarmante de mortos

Um vazamento de centenas de imagens de pessoas falecidas durante a brutal repressão a protestos no Irã foi revelado pela BBC Verify. As fotos, que mostram rostos de vítimas sangrentas e desfiguradas, incluem pelo menos 326 indivíduos, entre os quais estão 18 mulheres.

Identificação das vítimas em meio à tragédia

As imagens foram capturadas em um necrotério no sul de Teerã e representam uma das poucas maneiras pelas quais as famílias conseguem reconhecer seus entes queridos. Muitas vítimas estavam tão desfiguradas que a identificação era complicada. Curiosamente, 69 delas foram registradas como homens ou mulheres anônimos, sugerindo que suas identidades eram desconhecidas no momento da captura das fotos.

Apenas 28 das vítimas possuíam etiquetas com nomes legíveis nas imagens. Mais de 100 vítimas tinham a data de falecimento registrada como 9 de janeiro, uma das noites mais letais para os manifestantes na capital iraniana.

Contexto dos protestos e da repressão

Os tumultos em Teerã foram marcados por incêndios e confrontos com as forças de segurança, enquanto os manifestantes entoavam gritos contra o governo e o líder supremo do país. Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, convocou protestos em todo o território nacional após esses eventos.

Essas fotos vazadas fornecem um vislumbre do número de pessoas que se acredita terem perdido a vida devido à repressão do estado iraniano. Desde o início dos protestos, em dezembro, a BBC Verify tem documentado a situação, mas o bloqueio quase total da internet imposto pelo governo dificultou a coleta de informações sobre a violência contra os opositores.

Reconhecimento das mortes e o impacto emocional

O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, reconheceu publicamente que milhares de pessoas morreram, mas atribuiu a responsabilidade a fatores externos, como os Estados Unidos e Israel, além de insurgentes.

Apesar do bloqueio à internet, algumas informações conseguiram ser enviadas para fora do país. A BBC Verify analisou 392 fotos de vítimas, conseguindo identificar 326 delas, sendo que muitas tinham múltiplas imagens registradas de diferentes ângulos.

A realidade no necrotério e o sofrimento das famílias

Fontes anônimas relataram à BBC que o cenário no necrotério era devastador, com vítimas de idades variadas, desde 12 anos até 70. Em meio ao desespero, os familiares tentavam reconhecer os mortos em uma tela que exibia as imagens. Essa apresentação durou várias horas, e muitos não conseguiam identificar os entes queridos devido à gravidade dos ferimentos.

Alguns rostos estavam tão inchados que dificultavam a visualização dos olhos, enquanto outros apresentavam sinais de tratamento médico, como tubos respiratórios. A identificação era tão delicada que muitas famílias pediram para rever as imagens com zoom, buscando confirmar a identidade das vítimas.

O papel das identificações nos corpos

As fotos também mostravam sacos com corpos, que eram identificados por documentos e etiquetas com nomes, números de identificação ou datas de falecimento. Em casos isolados, a única forma de identificação era um cartão bancário colocado sobre o saco, representando a última posse da vítima.

Fonte: https://g1.globo.com

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